30.Ago.2013 14:38
Ipanema
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Porão do Rock: Em Busca do Milagre Brasileiro

Há algo de maior nessa minha ida à Brasília para assistir e cobrir o Porão do Rock 2013. Parto na direção do cerrado com o uma vela acesa para que o destino me leve ao encontro de uma pista qualquer da presença sobre humana, do inexplicável, o grande nada espiritual que rege o movimento das estrelas e as marés, que absorve os espíritos numa comunhão cósmica, que flui pelas veias das BRs, sibila em nossos ventos, faz brotar indústrias em cima de favelas e espalha carros por tudo, como se fosse uma doença que limpa com destruição, a arma química do veneno capitalista transformado em fé e esperança pela publicidade nacional, tudo ao mesmo tempo agora, a sujeira máxima que estoca brasileiros enquimicados no corredor da morte com um sorriso esperançoso e um slogan na ponta da língua, estufando o peito tísico com o sentimento de que o ufanista não desiste nunca, vence até . O que será, afinal de contas, hoje em dia, o “Milagre Brasileiro”?! Como não relacioná-lo à propaganda econômica da época da ditadura militar e ainda acreditar nele como uma força invisível que faz do habitante destas terras um algo que ainda valha a pena de se depositar esperanças?! Como tentar transformá-lo em um espírito novo que vá revitalizar o jovem que toma as ruas com pedidos na ponta dos gritos e enxergá-lo como uma força do bem - ou que virou a casaca pro bem, vá lá -, o fantasma do gigante desperto, que nos faça orgulhosos cidadãos do mundo?!
Por onde anda o Milagre Brasileiro?

 

Vou procurá-lo num festival de rock pesado no centro do Brasil, na capital do país. Achei que tinha a ver.

 

Fui-me aos alfarrábios. Para preparar-me, busquei uma “literatura” de referência primordial, uma das maiores peças de audiovisual roqueiro do Brasil, o documentário “Quem Kiss Teve”, que se concentra no público dos primeiros shows tupiniquins do Kiss, em 1983, e faz um relato sociológico genial. Transborda Milagre Brasileiro.

 

Quem Kiss Teve – parte 1:

 

Quem Kiss Teve – parte 2:

 

 

Quem Kiss Teve – parte 3:

 

 

O Porão desse ano não vai ter Kiss, mas vai ter Suicidal Tendencies, Soulfly, Krisium, Matanza, e mais um monte de banda de som pesado, mostrando que a evolução sonora, da máquina ao redor, do público, do merchandising e da bebedeira das pessoas num espetáculo desses, de 83 pra cá, pode me indicar onde encontrar o espírito que busco.

 

O Milagre Brasileiro pode ser o festival em si, um acontecimento anual, em sua décima sexta edição, com atrações internacionais da pesada e uma segmentação temática, ou de curadoria, ousada, extremamente bem sucedida, que junta os mais diversos tipos de brasileiros, e os reúne em um espírito roqueiro transcendente, que vibra com seus subgraves, e dança para santos astrais muito loucos.

 

Para buscá-lo não vou sozinho. Levo comigo do sul o amigo escritor Só Mascarenhas, que é morto e vive em Aceguá, na fronteira com o Uruguai, e veio de ônibus, num Ouro e Prata de Bagé, onde estava para visitar uns parentes próximos e trocar causos com os amigos, na praça de fronte ao banco. Me pareceu apenas justo convidá-lo para ir comigo, ao notar que ficou muito entusiasmado com a inspiração que lhe causou o fato de eu ter contado sobre o Câncer do Finatti.

 

Deixa eu explicar: estará em Brasília o conhecido jornalista musical paulista Humberto Finatti, que descobriu há alguns meses que está com câncer na garganta – e desde então chama o seu câncer carinhosamente de Monstrinho. Contei que o Finatti me escreveu dizendo que marcou sua radioterapia pra semana que vem, pra que pudesse aproveitar o Porão, e já havia reservado um Jack Daniels para tomar enquanto for assistir o Mark Lanegan.
O Só Mascarenhas (www.facebook.com/somascarenhas) vai mandar de Brasília pro mundo uma coluna chamada “Eu, o Finatti e o Câncer Dele”, disposta a narrar cada suor jorrado em seus papos candangos, suas dores e alegrias, seus arrojos e jogatinas, contando com a coadjuvância de astros de primeira, como o Egípcio Polaco do Cerrado e o Beatificado Toscani – qua vai pra lá só pra assistir o Soulfly.

 

Que o Milagre Brasileiro esteja com o Finatti! 



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