09.Set.2011 22:27
VooDoo
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Back2Black Festival: ajudando a ativar a cena da música negra

- Porém, com baixa presença da comunidade negra -
Por Dr. Caiaffo


Sistemas de som de primeira linha, distribuídos nos palcos principal e secundário, bem como na lona de circo armada para receber os DJ’s, amplificou o que pretendia ser uma mostra contemporânea senão do melhor, pelo menos de uma parcela representativa do que vem sendo a produção musical negra no Brasil e no mundo. E realmente foi uma mostra absolutamente digna: tanto no palco principal quanto no palco secundário, tivemos a oportunidade de ver ao vivo novamente ou de conhecer algumas atrações bastante bem selecionadas pela curadoria do festival. Por ordem de preferência, destaco no palco principal. ASA – pronuncia-se “asha” – apresentou um show fantástico de soul music; extremamente carismática, com uma linda voz e uma banda competentíssima, a francesa – filha de nigerianos, que atualmente reside em Lagos/Nigéria, desfilou prioritariamente as composições do seu excelente segundo álbum, chamado Beautiful Imperfection. Falaremos mais sobre ela em nova postagem, pois foi uma das únicas entre os artistas principais que circulou fora do ambiente ultra-restrito reservado aos artistas do palco principal, e honrando a tradição de Fela Kuti, que considera uma das suas principais influências, concedeu-nos uma entrevista não somente sobre sua música, mas também sobre a política nigeriana e mundial. Em seguida, destaque para a excelente performance do new soulman Aloe Blacc, que quase colocou a Leopoldina abaixo com composições prioritariamente de seu novo álbum, Good Things. Também acompanhado de uma banda fantástica, o californiano provou ao vivo o porquê de ser considerado um dos principais nomes da música negra na atualidade, homenageou Bob Marley num reggae super grooveado e foi às lágrimas no bis, ao homenagear sua terra natal numa versão linda de California Dreamin’. Destaque para I Need a Dollar, cantada em uníssono pelo público presente. Do Mali, a diva Oumou Sangaré fez um show fantástico, misturando instrumentos elétricos com instrumentos tradicionais africanos, apresentando um repertório que flerta tanto com os afrobeats quanto com as canções e ritmos mais tribais e locais. Impressionante a sessão percussiva que, contando somente com um músico nos tambores, parecia encher a casa com uma batida contagiante. Mesmo caso dos também malineses do Tinariwen, banda de tuaregs do norte do Saara: um tocador de tambor, adornado por instrumentos harmônicos de corda, preencheu a estação com batidas contagiantes, numa pegada mais étnica do que propriamente grooveada. Destaque também para o show da Macy Gray, que mostrou porque é diva e admirada por muitos dos que curtem a música black: um show bem animado e com a melhor sonoridade, espalhafatoso no ponto certo e que botou geral pra dançar. Jorge Ben fez o que sabe fazer há anos e não há o que dizer do repertório: poucos são os músicos nacionais que conseguem encadear sucessos como ele consegue, mantendo um pique dançante e uma atmosfera festiva. Destaque, neste show, para a longa participação de Will Calhoun, baterista do Living Colour, que subiu no palco e deu uma contribuição impagável no swing da banda.


Duas das atrações principais decepcionaram um pouco: a diva Chaka Khan e Seu Jorge & Almaz. Chaka Khan, na minha opinião, foi prejudicada pelo volume relativamente baixo para um lugar tão grande, ainda mais porque desfilou um repertório clássico de disco music. Ela merecia um ambiente mais esfumaçado e um som no talo, como o gênero disco me parece solicitar. O show me pareceu sem groove, sem pegada, e o público permaneceu mais frio do que eu esperava. Seu Jorge & Almaz também: embora o disco seja fantástico, me parece ter um formato mais intimista, cheio de efeitos e detalhes. Não deu muito certo no formato festival, embora deva ser uma das melhores coisas a se ver em palcos pequenos e fechados, ou mesmo em teatros. A fadista portuguesa Ana Moura, que Gilberto Gil tentou salvar, foi um convite definitivamente equivocado.

Confere o restante do texto do Dr. Caiaffo no blog VooDoo.



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