18.Nov.2011 20:54
VooDoo
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"Alô, Vitória Régia!"

Foi em 1976, após regressar do Universo em Desencanto desiludido, que Tim Maia rebatizou a famosa Seroma, sua banda base havia anos. Foi por sugestão de Paulinho Braga, seu baterista, grande admirador da banda 103rd Street, o nome Vitória Régia. Era a rua da sede dos ensaios e encontros. O curioso é saber que o nome Seroma – usado para a banda e para a sede – surgira de uma abreviação do seu nome de batismo, Sebastião Rodrigues Maia. E mais ainda perceber que Seroma invertido vira “Amores”… Enfim, folclore é o que não falta na história de Tim Maia.

Era um momento de mudanças profundas. De retornos, também. Tim, que havia largado todos os vícios em sua “época Racional”, e pregado a favor desses dogmas, irritou-se, desencantado (com o perdão do trocadilho) com o que aprendera na seita, e mandou tudo às favas. Acusou seu então mestre Manoel Jacintho de ser ladrão, pilantra e tarado, voltou a beber, fumar seus “bauretes”, comer carne sangrenta, queimou suas roupas brancas… Entregava-se novamente aos vícios e à vida profana. Pra sua felicidade, diga-se; e também pra alegria dos integrantes de sua banda (à época chamada até de Seroma Racional, tal a neurose de Tim), cheios daquela caretice toda por tanto tempo.

O momento era crítico, a bem da verdade. Um recomeço, sem dinheiro, sem discos, sem shows… Uma nova vida. Mas oportunidades foram surgindo, as composições e os discos também. Nessa nova fase, da Banda Vitória Régia, novos músicos aderiram à banda, outros passaram a frequentar o círculo, e o grupo foi se encorpando. O conjunto tomou ares de orquestra, contando com dois baixistas, três guitarristas, backing vocals, mais sopros… E assim Tim podia se exercitar na arte da provocação criativa, criando uma competição sadia no grupo. Debochava ao dizer, durante um show, que um baixista ou guitarrista estava tocando melhor que outro. Criticava ironicamente os negros ao dizer que “Tocando assim tu nunca vai comer uma loura”. Nesse seu método, e com sua conhecida exigência para com os músicos que o acompanhavam, a banda foi crescendo em excelência. Parava ensaios e passava a orquestrá-lo, pedindo acordes, solfejos, reclamando, pedindo de novo… Sua persistência pela qualidade de quem o acompanhava era notória, além de sua ironia. Tanto que algumas frases tornaram-se clássicos, como a “mais grave, mais agudo, mais eco, mais retorno, mais tudo!”, esta direcionada aos técnicos de som, além de inúmeras pérolas e declarações polêmicas em entrevistas.

Dessa formação, desse modelo de maestria no comando do conjunto, surgiram clássicos da música brasileira como “Sossego” (Disco Club, 1978); outras não tão populares, porém portadoras de grooves e melodias impressionantes, como “Márcio Leonardo e Telmo” (1976). Essa música, por exemplo, traz mais uma história inusitada: ela surgiu de uma visita de seus filhos Márcio Leonardo (seu enteado) e Telmo à Seroma. Uma das tantas compostas nos ensaios, com a banda. O engraçado é que Telmo era assim chamado apesar de ter sido batizado Carmelo, numa crise de dúvidas de Tim no momento do registro, ainda durante o período Racional.

Após muitas influências do soul, a onda disco do final dos anos 70 também foi incorporada à musicalidade do grupo. Tim não a renegava, e até defendia. Nessa pegada, com batida vibrante e extremamente dançante, surgiu um dos discos de maior sucesso, o Disco Club, de 1978.

Bom, paremos por aqui, pois histórias (musicais ou não) de Tim e sua banda são praticamente infinitas. Foram 22 anos dali em diante, colecionando momentos célebres, clássicos, lendas, também problemas, crises, excessos, processos… até a triste noite de 15 de março de 1998, quando Tim calou.

Hoje a Vitória Régia está em Porto Alegre pra Noite VooDoo no Opinião, e é imperativo participarmos de mais este capítulo. Pra VooDoo, pra Capital, e também pra banda que acompanhou Tim Maia por 22 anos, levando consigo essa história. Lendas vivas de grandes períodos do “síndico” estarão ali, contando e cantando um pouquinho disso tudo pra gente!

Acessa o site da banda: http://www.bandavitoriaregia.com.br/.

Aproveitando, fica aqui uma dica valiosa: “Leia… o livro… ‘Vale Tudo: o som e a fúria de Tim Maia’, de Nelson Motta. And you gonna know the truth!”

Ave Tim Maia! Sua Vitória continua Régia!

Acessa também o site VooDoo: http://festavoodoo.com/.



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